"Arte não é desculpa para racismo", declarou Adams, com a firmeza que a consagrou como uma das vozes mais respeitadas do teatro global. "Fernanda Torres vestiu a pele negra como se fosse uma fantasia de carnaval. Isso não é arte. É apropriação. É violência. E pior: é mediocridade disfarçada de ousadia."
Adams, que fez história como a primeira mulher negra a protagonizar uma produção no West End, em 1974, com a peça This Girl is So Crazy, foi incisiva: "Enquanto eu lutava para abrir portas para atrizes negras, Fernanda Torres usava tinta preta para fazer piada. Enquanto eu enfrentava o racismo estrutural do teatro britânico, ela se pintava de negra para ganhar risadas fáceis. Isso não é esquecido. Isso não é perdoado."
Com uma carreira que inclui mais de 50 prêmios internacionais e o título de Baronesa concedido pela Rainha Elizabeth II em 2010, além do título de Dama do Teatro Britânico, Adams é uma figura reverenciada no meio artístico. Sua influência sobre a bancada britânica do Oscar — composta por diretores, atores e críticos — é inegável.
Adams ainda questionou a indicação de Torres ao Oscar: "Como podemos celebrar uma atriz que já participou de algo tão degradante? O Oscar não é um prêmio de consolação. É um reconhecimento à excelência. E excelência não se constrói sobre o racismo."
A declaração é um golpe direto nas chances de Torres, que depende do apoio internacional para vencer a categoria. Com a bancada britânica representando cerca de 10% dos votos totais da Academia, as palavras de Adams podem ser decisivas.
O episódio de blackface de Torres ocorreu em 1997, quando a atriz interpretou uma empregada doméstica negra na série A Comédia da Vida Privada. Torres se desculpou publicamente, mas Adams nunca aceitou as explicações. "Desculpas não apagam o passado", disse Adams. "Ela pode até ter mudado, mas a arte que ela fez naquela época continua lá, como um lembrete de que o racismo sempre encontra desculpas para se manifestar."
Fonte: The Guardian Chronicle por Illusion
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