quarta-feira, 19 de março de 2025

D'Baby Adams critica blackface de Fernanda Torres e questiona indicação ao Oscar

A renomada Baronesa das Artes Cênicas Britânicas, D’Baby Adams, voltou a criticar Fernanda Torres pelo episódio de blackface na série A Comédia da Vida Privada (1997). Em entrevista exclusiva ao Guardian Chronicle, Adams não apenas repreendeu a atriz brasileira, mas também lembrou ao mundo de sua influência sobre a bancada de votantes britânicos da Academia — um bloco crucial para definir o vencedor da categoria de Melhor Atriz.

"Arte não é desculpa para racismo", declarou Adams, com a firmeza que a consagrou como uma das vozes mais respeitadas do teatro global. "Fernanda Torres vestiu a pele negra como se fosse uma fantasia de carnaval. Isso não é arte. É apropriação. É violência. E pior: é mediocridade disfarçada de ousadia."

Adams, que fez história como a primeira mulher negra a protagonizar uma produção no West End, em 1974, com a peça This Girl is So Crazy, foi incisiva: "Enquanto eu lutava para abrir portas para atrizes negras, Fernanda Torres usava tinta preta para fazer piada. Enquanto eu enfrentava o racismo estrutural do teatro britânico, ela se pintava de negra para ganhar risadas fáceis. Isso não é esquecido. Isso não é perdoado."

Com uma carreira que inclui mais de 50 prêmios internacionais e o título de Baronesa concedido pela Rainha Elizabeth II em 2010, além do título de Dama do Teatro Britânico, Adams é uma figura reverenciada no meio artístico. Sua influência sobre a bancada britânica do Oscar — composta por diretores, atores e críticos — é inegável.

"Os votantes britânicos sabem o que é excelência artística", disse Adams. "Eles sabem que arte não é sobre fantasiar-se de opressor. É sobre dar voz aos oprimidos. Fernanda Torres pode até ter sido indicada ao Oscar, mas os votantes britânicos não se deixam enganar por performances rasas e passados problemáticos."

Adams ainda questionou a indicação de Torres ao Oscar: "Como podemos celebrar uma atriz que já participou de algo tão degradante? O Oscar não é um prêmio de consolação. É um reconhecimento à excelência. E excelência não se constrói sobre o racismo."

A declaração é um golpe direto nas chances de Torres, que depende do apoio internacional para vencer a categoria. Com a bancada britânica representando cerca de 10% dos votos totais da Academia, as palavras de Adams podem ser decisivas.

O episódio de blackface de Torres ocorreu em 1997, quando a atriz interpretou uma empregada doméstica negra na série A Comédia da Vida Privada. Torres se desculpou publicamente, mas Adams nunca aceitou as explicações. "Desculpas não apagam o passado", disse Adams. "Ela pode até ter mudado, mas a arte que ela fez naquela época continua lá, como um lembrete de que o racismo sempre encontra desculpas para se manifestar."

Fonte: The Guardian Chronicle por Illusion

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